Câncer de bexiga !
O câncer de bexiga é um câncer do revestimento da bexiga que geralmente aparece como sangue na urina sem dor; afeta ambos os sexos, mais os homens.
Atualizado 2026-10-30
Estruturas envolvidas
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- Bexiga urinária
- Trígono da bexiga
- Ureteres
- Uretra feminina
- Linfonodos obturatórios
- Linfonodos ilíacos externos
- Artéria ilíaca interna
O que é
Tumor maligno do revestimento da bexiga, mais frequentemente carcinoma urotelial, que tipicamente se apresenta com sangue visível na urina e indolor. Afeta ambos os sexos, embora seja várias vezes mais comum em homens.
Quem afeta
Principalmente uma doença de adultos mais velhos e fumantes, mais frequente em homens; as mulheres são frequentemente diagnosticadas mais tarde porque a hematúria é atribuída primeiro a infecção. O câncer de bexiga atribuível ao tabagismo causou cerca de 1.742 mortes na América Latina e no Caribe em 2023. O carcinoma escamoso associado à esquistossomose pertence a áreas endêmicas fora das Américas.
Causas
- Tabagismo, a principal causa conhecida
- Aminas aromáticas ocupacionais e outros produtos químicos (indústrias de corantes, borracha, couro, tintas e metais)
- Irritação vesical crônica: cateteres de longa permanência, cálculos, infecção recorrente (tipo escamoso)
- Infecção por Schistosoma haematobium em regiões endêmicas (tipo escamoso)
- Radioterapia pélvica ou quimioterapia com agentes alquilantes prévias
- Arsênio na água potável
Fatores de risco
- Tabagismo, atual ou passado
- Idade acima de cerca de 55 anos
- Sexo masculino
- Exposição ocupacional a produtos químicos
- Radiação pélvica ou tratamento com ciclofosfamida prévios
- Cateterismo crônico ou inflamação vesical
- História familiar
Fisiopatologia
Os carcinógenos excretados na urina permanecem em contato com o urotélio e causam dano genético. A maioria dos tumores cresce como lesões papilares restritas ao revestimento (não músculo-invasivas) e tende a recorrer; um grupo menor, incluindo o carcinoma in situ, é de alto grau e pode invadir o músculo detrusor e se disseminar para os linfonodos pélvicos e órgãos distantes.
Classificação
- Histologia: carcinoma urotelial (de células transicionais) na maioria dos casos; carcinoma de células escamosas; adenocarcinoma
- Não músculo-invasivo: Ta (papilar), Tis (carcinoma in situ), T1 (até a lâmina própria)
- Músculo-invasivo: T2 ou mais
- Baixo grau ou alto grau
- Estadiamento TNM para linfonodos e metástases
Sintomas e sinais
- Hematúria visível e indolor, frequentemente intermitente
- Hematúria microscópica detectada em exames
- Sintomas irritativos: polaciúria, urgência, disúria, sobretudo com carcinoma in situ
- Doença avançada: dor pélvica ou no flanco, edema das pernas, perda de peso, dor óssea
Diagnóstico
- Clínico
- História de hematúria, tabagismo e exposição ocupacional; exame físico incluindo palpação pélvica ou retal; exame bimanual sob anestesia na ressecção.
- Exames
- Exame de urina e urocultura para excluir infecção; citologia urinária; função renal e hemograma. A cistoscopia é o exame-chave; a ressecção transuretral do tumor de bexiga (RTU de bexiga) fornece a histologia, o grau e a profundidade.
- Imagem
- Urotomografia (urografia por TC) para avaliar o trato urinário superior; TC ou RM de abdome e pelve e imagem do tórax para estadiar a doença músculo-invasiva.
Diagnóstico diferencial
- Infecção do trato urinário (cistite hemorrágica)
- Cálculos renais ou vesicais
- Carcinoma de células renais ou carcinoma urotelial do trato superior
- Doença prostática nos homens; sangramento ginecológico confundido com hematúria nas mulheres
- Cistite actínica ou induzida por fármacos
- Doença glomerular
Objetivo do tratamento
Remover o tumor, reduzir a recorrência e a progressão na doença não invasiva e curar ou controlar a doença músculo-invasiva preservando a qualidade de vida.
Tratamento
- Cirúrgico
- Ressecção transuretral do tumor de bexiga (RTU) para diagnóstico e tratamento, com nova ressecção em tumores selecionados de alto risco.
- Procedimento
- Terapia intravesical após a ressecção: instilação única de quimioterapia nos tumores de baixo risco, e cursos de imunoterapia intravesical com BCG na doença de risco intermediário e alto.
- Cirúrgico
- Cistectomia radical com linfadenectomia pélvica e derivação urinária (conduto ileal ou neobexiga) na doença músculo-invasiva ou de alto risco não responsiva ao BCG; nas mulheres geralmente inclui a retirada do útero e da parede vaginal anterior.
- Clínico
- Quimioterapia neoadjuvante à base de platina antes da cistectomia; quimioterapia sistêmica, inibidores de checkpoint imunológico ou conjugados anticorpo–fármaco na doença avançada.
- Procedimento
- Terapia trimodal com preservação vesical (ressecção máxima mais quimiorradioterapia) em pacientes selecionados.
- Acompanhamento
- Vigilância regular com cistoscopia e citologia urinária, pois a recorrência é comum; imagem do trato superior.
- Estilo de vida
- Parar de fumar, o que reduz o risco de recorrência.
Complicações
- Recorrência e progressão para doença invasiva
- Retenção por coágulos e anemia
- Obstrução ureteral e insuficiência renal
- Metástases para linfonodos, osso, pulmão e fígado
- Efeitos do tratamento: cistite por BCG, problemas do estoma e da derivação, disfunção sexual
Prognóstico
Os tumores não músculo-invasivos têm boa sobrevida, mas recorrem com frequência e exigem seguimento longo. O prognóstico piora com a invasão muscular, o acometimento linfonodal e as metástases.
Prevenção
- Não fumar, ou parar de fumar
- Proteção ocupacional contra produtos químicos carcinogênicos
- Avaliação rápida da hematúria
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Qual é a apresentação clássica do câncer de bexiga?
Hematúria visível (macroscópica) e indolor em adulto mais velho, frequentemente fumante.
Qual é o fator de risco mais importante para o câncer de bexiga?
O tabagismo; em seguida vêm as aminas aromáticas ocupacionais.
Qual tipo histológico é o mais comum no câncer de bexiga?
O carcinoma urotelial (de células transicionais); o carcinoma de células escamosas está associado à esquistossomose e à irritação crônica.
Qual procedimento diagnostica e estadia um tumor de bexiga ao mesmo tempo?
A ressecção transuretral do tumor de bexiga (RTU), que deve incluir músculo detrusor para avaliar a invasão.
Qual tratamento intravesical reduz a recorrência no câncer de bexiga não músculo-invasivo de alto risco?
A imunoterapia intravesical com BCG após a ressecção.
Doenças relacionadas
Informação educativa, não é aconselhamento médico. Diante de um sintoma, consulte um profissional de saúde.
Fontes: Bladder Cancer (StatPearls (NCBI Bookshelf), 2024); The burden of bladder cancer and kidney cancer attributable to smoking in Latin America and the Caribbean from 1990 to 2023 and projections to 2050 (Tobacco induced diseases, 2026) · adaptado, CC BY 4.0.
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