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Anafilaxia !

A anafilaxia é uma reação alérgica grave e súbita que pode fechar a via aérea, dificultar a respiração ou derrubar a pressão em minutos; pode ser fatal.

Atualizado 2026-10-30

Estruturas envolvidas

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O que é

Reação de hipersensibilidade sistêmica grave, potencialmente fatal, que começa subitamente após a exposição a um desencadeante e pode comprometer a via aérea, a respiração ou a circulação em minutos.

Quem afeta

Ocorre em todas as idades: os alimentos são o principal desencadeante em crianças, e os medicamentos e as picadas de insetos em adultos. Muitas reações ocorrem fora do hospital, por isso o reconhecimento por quem está presente é importante. Em uma pesquisa com pais de 969 escolares de 5 a 12 anos em Medellín, Colômbia, 1,85% já tinham tido anafilaxia relacionada a alimentos, e apenas 11% destes tinham autoinjetor de adrenalina prescrito.

Causas

  • Alimentos, como amendoim, castanhas, crustáceos e frutos do mar, peixe, leite e ovo
  • Medicamentos, especialmente antibióticos como os betalactâmicos, anti-inflamatórios não esteroides e alguns agentes anestésicos
  • Picadas de insetos: abelhas, vespas e formigas
  • Meios de contraste radiológico e látex
  • Anafilaxia associada ao exercício e idiopática, quando nenhum desencadeante é encontrado

Fatores de risco

  • Anafilaxia prévia ou alergia grave conhecida
  • Asma, sobretudo se mal controlada, que aumenta o risco de reação fatal
  • Mastocitose ou outros distúrbios dos mastócitos
  • Doença cardiovascular e uso de betabloqueadores ou IECA, que podem agravar ou atenuar a resposta ao tratamento
  • Cofatores como exercício, álcool, febre ou infecção concomitante
  • Atraso na administração de adrenalina intramuscular

Fisiopatologia

Na forma clássica, o desencadeante faz ligação cruzada da IgE nos mastócitos e basófilos, que liberam histamina, triptase, leucotrienos e prostaglandinas; alguns desencadeantes agem sem IgE. Esses mediadores causam vasodilatação, extravasamento capilar, contração da musculatura lisa e edema de mucosas, produzindo hipotensão, broncoespasmo, edema de laringe e urticária.

Classificação

  • Anafilaxia mediada por IgE (alérgica)
  • Anafilaxia não mediada por IgE (ativação direta dos mastócitos, p. ex., alguns medicamentos e meios de contraste)
  • Reações unifásicas, bifásicas (os sintomas voltam horas depois sem nova exposição) ou prolongadas
  • Existem sistemas de graduação da gravidade, mas as definições e escalas variam entre as diretrizes

Sintomas e sinais

  • Pele e mucosas: urticária, rubor, prurido, inchaço dos lábios, da língua ou da úvula (angioedema)
  • Via aérea: aperto na garganta, rouquidão, estridor, dificuldade para engolir
  • Respiração: sibilância, tosse, falta de ar, saturação de oxigênio baixa
  • Circulação: tontura, desmaio, pulso rápido, pressão arterial baixa, colapso
  • Intestino: dor abdominal em cólica, vômitos, diarreia
  • Sensação de morte iminente; os sinais cutâneos estão ausentes em uma minoria dos casos

Diagnóstico

Clínico
Diagnóstico clínico feito à beira do leito: início rápido de sinais cutâneos ou mucosos com comprometimento respiratório ou circulatório, ou acometimento típico após exposição a um alérgeno provável. Critérios amplamente usados (p. ex., da World Allergy Organization) orientam o reconhecimento; o tratamento não é adiado por exames.
Exames
A triptase sérica coletada nas primeiras horas após o início pode apoiar o diagnóstico, mas um valor normal não o exclui. Depois, um alergista pode usar testes cutâneos ou IgE específica para confirmar o desencadeante.
Imagem
Não é necessária para o diagnóstico.

Diagnóstico diferencial

  • Síncope vasovagal
  • Crise aguda de asma
  • Ataque de pânico
  • Angioedema isolado (p. ex., por IECA ou hereditário)
  • Choque séptico ou cardiogênico
  • Intoxicação escombroide (por peixe)

Objetivo do tratamento

Restaurar a via aérea, a respiração e a circulação o mais rápido possível, bloquear os efeitos dos mediadores com adrenalina, vigiar a recorrência e prevenir episódios futuros identificando e evitando o desencadeante.

Tratamento

Fase aguda
A adrenalina (epinefrina) intramuscular na face lateral da coxa é o tratamento de primeira linha e é administrada sem demora; pode ser repetida se não houver melhora.
Fase aguda
Retirar o desencadeante se possível, pedir ajuda, posicionar o paciente deitado com as pernas elevadas (ou sentado se tiver dificuldade para respirar), administrar oxigênio em alto fluxo e fluidos intravenosos.
Fase aguda
Manejo da via aérea por equipe experiente quando há edema da via aérea, incluindo intubação ou via aérea cirúrgica em casos extremos.
Clínico
Fármacos de segunda linha: beta-2 agonistas inalatórios para o broncoespasmo, anti-histamínicos H1 para os sintomas cutâneos; os glicocorticoides são frequentemente administrados, mas não substituem a adrenalina.
Clínico
Anafilaxia refratária: infusão de adrenalina e vasopressores em terapia intensiva; o glucagon é considerado em pacientes que usam betabloqueadores.
Acompanhamento
Observação após a recuperação pelo risco de reação bifásica; a duração depende da gravidade e das diretrizes locais.
Estilo de vida
Alta com autoinjetor de adrenalina e treinamento, plano de emergência por escrito, encaminhamento ao alergista e imunoterapia com veneno quando indicada.

Complicações

  • Obstrução da via aérea e asfixia
  • Choque refratário e parada cardíaca
  • Isquemia miocárdica, incluindo a síndrome de Kounis (síndrome coronariana aguda alérgica)
  • Lesão cerebral hipóxica
  • Reações bifásicas ou prolongadas

Prognóstico

Com adrenalina intramuscular precoce, a maioria dos pacientes se recupera totalmente. As mortes são incomuns e estão ligadas ao atraso da adrenalina, ao comprometimento da via aérea, à asma e à doença cardiovascular. A recorrência é possível se o desencadeante não for identificado.

Prevenção

  • Identificação e registro claros do desencadeante no prontuário
  • Evitar o desencadeante e ler com atenção os rótulos dos alimentos
  • Portar um autoinjetor de adrenalina e saber usá-lo
  • Imunoterapia com veneno para pessoas selecionadas com anafilaxia por picada de inseto

Teste seus conhecimentos

Pense na resposta e toque na pergunta para vê-la.

Qual é o fármaco de primeira linha na anafilaxia e por qual via é administrado?

Adrenalina (epinefrina) por via intramuscular na face anterolateral da coxa, sem demora.

O que é uma reação anafilática bifásica?

A volta dos sintomas horas após a resolução da primeira reação, sem nova exposição ao desencadeante; é por isso que os pacientes ficam em observação após a recuperação.

Qual exame de sangue pode apoiar o diagnóstico de anafilaxia se coletado cedo?

A triptase sérica dos mastócitos, idealmente nas primeiras horas após o início; um valor normal não descarta anafilaxia.

Por que pacientes em uso de betabloqueadores representam um problema na anafilaxia?

Podem responder mal à adrenalina; o glucagon é considerado nos casos refratários.

Qual é o principal mecanismo da anafilaxia clássica?

Desgranulação de mastócitos e basófilos mediada por IgE, com liberação de histamina e outros mediadores.

Doenças relacionadas

Informação educativa, não é aconselhamento médico. Diante de um sintoma, consulte um profissional de saúde.

Fontes: Anaphylaxis (StatPearls (NCBI Bookshelf), 2023); Prevalence of Food-Hypersensitivity and Food-Dependent Anaphylaxis in Colombian Schoolchildren by Parent-Report (Medicina (Kaunas, Lithuania), 2021) · adaptado, CC BY 4.0.

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