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Sepse e choque séptico !

A sepse é uma reação a uma infecção, com risco de vida, que lesa os próprios órgãos; o choque séptico é sua forma mais grave, com falência da circulação.

Atualizado 2026-10-30

Estruturas envolvidas

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O que é

Disfunção orgânica com risco de vida causada por uma resposta desregulada do hospedeiro à infecção. O choque séptico é o subgrupo com falência circulatória e celular grave o suficiente para aumentar muito a mortalidade.

Quem afeta

Uma das principais causas de morte nos hospitais do mundo, incluindo a América Latina; a maioria dos casos começa na comunidade. Entre 2.510 adultos com sepse grave ou choque séptico nos serviços de emergência de três hospitais de Medellín, Colômbia, as infecções urinárias (27,8%) e pulmonares (27,5%) foram as fontes mais comuns, e a mortalidade hospitalar foi de 11,5%.

Causas

  • Pneumonia, a fonte mais comum
  • Infecção intra-abdominal (peritonite, colangite, apendicite, abscesso)
  • Infecção do trato urinário e pielonefrite
  • Infecção de pele e partes moles; cateteres e dispositivos infectados
  • Bactérias (gram-negativas e gram-positivas) na maioria das vezes; também fungos e vírus

Fatores de risco

  • Extremos de idade (lactentes e idosos)
  • Imunossupressão: câncer, quimioterapia, HIV, corticoides, transplante
  • Diabetes, doença renal ou hepática crônica, transtorno por uso de álcool
  • Cirurgia recente, dispositivos invasivos ou internação hospitalar
  • Gestação e puerpério

Fisiopatologia

Produtos microbianos desencadeiam uma resposta inflamatória e de coagulação excessiva, junto com imunossupressão. A vasodilatação, o extravasamento capilar e a trombose microvascular reduzem a perfusão tecidual e o uso de oxigênio, causando aumento do lactato e disfunção dos pulmões, rins, fígado, cérebro, coração e sistema de coagulação.

Classificação

  • Sepse (Sepsis-3): infecção mais um aumento agudo de 2 ou mais pontos no escore SOFA
  • Choque séptico: sepse que exige vasopressores para manter a pressão arterial média igual ou acima de 65 mmHg, com lactato acima de 2 mmol/L apesar de reposição volêmica adequada
  • Por foco: respiratório, abdominal, urinário, cutâneo, relacionado a dispositivo ou desconhecido

Sintomas e sinais

  • Febre ou hipotermia, calafrios
  • Frequência cardíaca e respiratória aceleradas
  • Pressão arterial baixa, pele fria e mosqueada e enchimento capilar lento
  • Confusão, agitação ou sonolência
  • Redução do débito urinário
  • Sintomas do foco: tosse, dor abdominal, dor ao urinar, área de pele vermelha e quente

Diagnóstico

Clínico
Suspeita de infecção mais sinais de disfunção orgânica. O qSOFA (frequência respiratória ≥22, alteração do estado mental, pressão sistólica ≤100 mmHg) é um alerta de risco à beira do leito, não um teste diagnóstico; o SOFA pontua a disfunção de seis sistemas orgânicos. Escores de alerta precoce também são usados.
Exames
Hemoculturas (de preferência antes dos antibióticos) e culturas do foco suspeito, lactato, hemograma completo, creatinina, bilirrubina, coagulograma, gasometria e glicemia; procalcitonina em alguns contextos.
Imagem
Radiografia de tórax para pneumonia; ultrassonografia ou TC de abdome para encontrar um foco que precise de drenagem; ultrassonografia à beira do leito para avaliar o coração e o estado volêmico.

Diagnóstico diferencial

  • Choque hipovolêmico (sangramento, desidratação)
  • Choque cardiogênico (infarto agudo do miocárdio, miocardite)
  • Anafilaxia
  • Embolia pulmonar
  • Pancreatite aguda ou outra inflamação sistêmica não infecciosa
  • Dengue grave ou outras infecções tropicais

Objetivo do tratamento

Reconhecer a sepse precocemente, restaurar a perfusão tecidual, iniciar rapidamente antimicrobianos eficazes e controlar o foco infeccioso, dando suporte aos órgãos em falência.

Tratamento

Fase aguda
Antibióticos de amplo espectro precoces, idealmente na primeira hora quando choque ou sepse são prováveis, após coletar culturas sem atrasar o tratamento; depois descalonados para o microrganismo identificado.
Fase aguda
Cristaloides intravenosos para a hipoperfusão, guiados pela reavaliação repetida da resposta; vasopressores (noradrenalina como primeira linha) se a hipotensão persistir.
Procedimento
Controle do foco: drenagem de abscessos ou empiema, retirada de dispositivos infectados, cirurgia para peritonite ou infecção necrosante, desobstrução da via biliar ou urinária.
Acompanhamento
Monitoramento em terapia intensiva da pressão arterial, débito urinário, lactato e função orgânica; oxigênio, ventilação, diálise ou corticoides no choque refratário, conforme necessário.

Complicações

  • Síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA)
  • Lesão renal aguda
  • Coagulação intravascular disseminada
  • Cardiomiopatia séptica e arritmias
  • Disfunção hepática e delirium
  • Falência de múltiplos órgãos e morte
  • Fraqueza prolongada, problemas cognitivos e síndrome pós-terapia intensiva

Prognóstico

A mortalidade aumenta com o número de órgãos em falência e é maior no choque séptico. O reconhecimento precoce e a instituição rápida de antibióticos, fluidos e controle do foco melhoram a sobrevida. Os sobreviventes muitas vezes têm sequelas físicas, cognitivas ou psicológicas duradouras.

Prevenção

  • Vacinação (influenza, pneumococo e outras)
  • Higiene das mãos e controle de infecção nos hospitais
  • Tratamento rápido das infecções comuns e cuidado rigoroso com cateteres e dispositivos

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Como o consenso Sepsis-3 define a sepse?

Disfunção orgânica com risco de vida causada por uma resposta desregulada do hospedeiro à infecção, evidenciada por um aumento agudo de 2 ou mais pontos no escore SOFA.

Quais são os três critérios do qSOFA?

Frequência respiratória de 22 ou mais, alteração do estado mental e pressão arterial sistólica de 100 mmHg ou menos.

Como se define o choque séptico?

Sepse que exige vasopressores para manter a pressão arterial média igual ou acima de 65 mmHg, com lactato acima de 2 mmol/L apesar de reposição volêmica adequada.

Quais são os princípios-chave do manejo precoce da sepse?

Culturas, antibióticos de amplo espectro precoces, fluidos intravenosos para a hipoperfusão, vasopressores se necessário, dosagem de lactato e controle do foco.

Qual é o foco mais comum de sepse?

Pneumonia, seguida das infecções abdominais e do trato urinário.

Doenças relacionadas

Informação educativa, não é aconselhamento médico. Diante de um sintoma, consulte um profissional de saúde.

Fontes: Bacterial Sepsis (StatPearls (NCBI Bookshelf), 2023); Association between site of infection and in-hospital mortality in patients with sepsis admitted to emergency departments of tertiary hospitals in Medellin, Colombia (Revista Brasileira de terapia intensiva, 2019) · adaptado, CC BY 4.0.

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