Gravidez molar (mola hidatiforme) !
A gravidez molar é uma gravidez anormal em que a placenta cresce como cistos cheios de líquido após uma fecundação anormal; pode persistir como tumor.
Atualizado 2026-10-29
Estruturas envolvidas
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O que é
Gravidez anormal em que a placenta (trofoblasto) cresce como vilosidades edemaciadas e cheias de líquido devido a uma fecundação anormal. É uma forma de doença trofoblástica gestacional e pode progredir para um tumor persistente.
Quem afeta
Complicação incomum da gravidez; os textos relatam taxas mais altas em algumas partes da Ásia e da América Latina. Hoje a maioria dos casos é detectada precocemente pela ultrassonografia no primeiro trimestre.
Causas
- Mola completa: um óvulo sem cromossomos maternos fecundado por um ou dois espermatozoides (diploide, totalmente paterna); não se forma feto
- Mola parcial: um óvulo normal fecundado por dois espermatozoides (triploide); pode haver partes fetais
- O excesso de material genético paterno impulsiona a proliferação do trofoblasto
Fatores de risco
- Idade materna inferior a cerca de 20 ou superior a cerca de 35–40 anos
- Gravidez molar prévia
- Abortamentos prévios
- Alguns fatores alimentares, como baixa ingestão de caroteno, foram propostos
Fisiopatologia
Com material genético paterno em excesso, o trofoblasto prolifera e as vilosidades coriônicas incham, formando vesículas em cacho de uva. O tecido anormal produz quantidades muito altas de gonadotrofina coriônica humana (hCG), que pode estimular os ovários (cistos tecaluteínicos) e a tireoide. Parte do trofoblasto pode persistir ou invadir o miométrio após o esvaziamento (neoplasia trofoblástica gestacional).
Classificação
- Mola hidatiforme completa: 46,XX ou 46,XY, totalmente paterna, sem tecido fetal, maior risco de neoplasia
- Mola hidatiforme parcial: geralmente 69 cromossomos (triploide), pode haver tecido fetal, menor risco
- Neoplasia trofoblástica gestacional após mola: mola invasora, coriocarcinoma e formas mais raras
Sintomas e sinais
- Sangramento vaginal no primeiro trimestre, às vezes com eliminação de tecido em cacho de uva
- Útero maior que o esperado para a idade gestacional (mais frequente na mola completa)
- Náuseas e vômitos intensos (hiperêmese)
- Ausência de batimentos cardíacos fetais na mola completa
- Menos frequentemente: pré-eclâmpsia precoce (antes de 20 semanas), sinais de hipertireoidismo, ovários aumentados com cistos tecaluteínicos
- Muitos casos são detectados em ultrassonografia precoce de rotina, sem sintomas
Diagnóstico
- Clínico
- Suspeitada por sangramento no primeiro trimestre, útero grande para a idade gestacional ou hiperêmese; confirmada pela histologia do tecido esvaziado.
- Exames
- hCG sérico quantitativo, frequentemente muito elevado; hemograma, tipagem sanguínea e Rh, função renal, hepática e tireoidiana; histopatologia (e às vezes ploidia ou imuno-histoquímica para p57) para distinguir a mola completa da parcial.
- Imagem
- Ultrassonografia pélvica: a mola completa mostra uma massa vesicular heterogênea sem feto (padrão em "tempestade de neve"); a mola parcial mostra uma placenta espessada e cística, às vezes com feto anormal. Radiografia de tórax se houver suspeita de neoplasia.
Diagnóstico diferencial
- Abortamento (incompleto ou retido)
- Gravidez ectópica
- Gestação múltipla
- Hiperêmese gravídica de uma gravidez normal
- Miomas uterinos com gravidez
Objetivo do tratamento
Remover com segurança todo o tecido molar, acompanhar o hCG até a normalização para detectar precocemente a doença persistente e preservar a fertilidade quando desejado.
Tratamento
- Cirúrgico
- Esvaziamento uterino por aspiração, independentemente do tamanho do útero, com ocitócicos administrados apenas após o início do esvaziamento se o sangramento for intenso; a histerectomia é uma opção para mulheres que não desejam mais filhos.
- Clínico
- Imunoglobulina anti-D para mulheres Rh-negativas; tratamento do hipertireoidismo, da pré-eclâmpsia e da anemia quando presentes.
- Acompanhamento
- Dosagens seriadas de hCG até a normalização e depois por um período definido em protocolo, com contracepção hormonal confiável durante o seguimento para evitar confusão com nova gravidez.
- Clínico
- Quimioterapia (antimetabólito em monoterapia ou esquemas com múltiplos agentes, conforme o escore de risco) para a neoplasia trofoblástica gestacional.
Complicações
- Hemorragia e anemia
- Perfuração uterina durante o esvaziamento
- Neoplasia trofoblástica gestacional: mola invasora, coriocarcinoma
- Hipertireoidismo e, raramente, crise tireotóxica
- Pré-eclâmpsia precoce
- Insuficiência respiratória por embolização trofoblástica
- Cistos tecaluteínicos com torção ou ruptura
Prognóstico
Excelente com esvaziamento e seguimento completo do hCG; mesmo a neoplasia trofoblástica é altamente curável com quimioterapia. O risco de nova mola em gravidez futura é maior que a média, por isso recomenda-se ultrassonografia precoce nas gestações seguintes.
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Qual é o cariótipo da mola hidatiforme completa?
Geralmente 46,XX (às vezes 46,XY), com todos os cromossomos de origem paterna e sem tecido fetal.
Como a mola parcial difere geneticamente da mola completa?
A mola parcial geralmente é triploide (69 cromossomos, dois conjuntos paternos e um materno) e pode conter partes fetais.
Qual marcador tumoral é usado para monitorar a gravidez molar?
A gonadotrofina coriônica humana (hCG) sérica, acompanhada de forma seriada até se normalizar.
Qual é o aspecto ultrassonográfico clássico da mola completa?
Uma massa intrauterina vesicular heterogênea sem feto, descrita como padrão em tempestade de neve.
Por que a gravidez molar pode causar hipertireoidismo?
O hCG muito elevado compartilha uma subunidade com o TSH e estimula o receptor de TSH da tireoide.
Doenças relacionadas
- Abortamento espontâneo (perda gestacional precoce)
- Gravidez ectópica
- Pré-eclâmpsia
- Cisto ovariano
- Miomas uterinos (leiomiomas)
Informação educativa, não é aconselhamento médico. Diante de um sintoma, consulte um profissional de saúde.
Fontes: Hydatidiform Mole (StatPearls (NCBI Bookshelf), 2024).
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