Síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA) !
A síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA) é uma lesão pulmonar súbita e difusa em que os alvéolos se enchem de líquido, com grave falta de oxigênio.
Atualizado 2026-10-30
Estruturas envolvidas
Toque em uma para ver o que é e abri-la em 3D.
- Lobo inferior direito
- Lobo inferior esquerdo
- Vasos segmentares do pulmão
- Artérias pulmonares
- Traqueia
- Diafragma
- Ventrículo direito
O que é
Lesão pulmonar inflamatória aguda e difusa, com capilares alveolares permeáveis, que causa edema pulmonar não cardiogênico e hipoxemia grave. É desencadeada por uma agressão pulmonar direta ou por uma doença sistêmica.
Quem afeta
Motivo frequente de ventilação mecânica em terapia intensiva, e muitos casos passam despercebidos. Sepse e pneumonia são as principais causas; a COVID-19 aumentou muito os casos na América Latina. Em cinco UTIs de Lima, Peru, 31% de 1.657 adultos em ventilação mecânica tiveram SDRA em algum momento, com mortalidade em 90 dias de 55–56%.
Causas
- Lesão pulmonar direta: pneumonia (inclusive viral), aspiração, contusão pulmonar, lesão inalatória, quase afogamento
- Lesão indireta: sepse (a causa mais comum), trauma grave, pancreatite aguda, múltiplas transfusões, queimaduras
- Intoxicação por medicamentos e algumas reações a fármacos
Fatores de risco
- Sepse
- Pneumonia grave
- Uso crônico de álcool
- Choque
- Trauma grave e múltiplas transfusões
- Idade avançada
Fisiopatologia
A inflamação lesa o epitélio alveolar e o endotélio capilar, de modo que líquido rico em proteínas inunda os alvéolos e se formam membranas hialinas (dano alveolar difuso). A perda de surfactante colapsa os alvéolos, causando shunt e pulmões rígidos. Uma fase exsudativa é seguida por uma fase proliferativa e, em alguns pacientes, por fibrose.
Classificação
- Gravidade pela definição de Berlim, pela relação PaO2/FiO2 com PEEP de pelo menos 5: leve (200–300), moderada (100–200), grave (100 ou menos)
- Causa direta (pulmonar) ou indireta (extrapulmonar)
- Uma definição global mais recente inclui também pacientes em oxigênio de alto fluxo e usa a saturação de oxigênio
Sintomas e sinais
- Dispneia que piora rapidamente e taquipneia
- Hipoxemia que responde mal ao oxigênio
- Estertores difusos
- Sinais do desencadeante (febre, choque, trauma)
Diagnóstico
- Clínico
- Definição de Berlim: início em até uma semana após uma agressão conhecida ou sintomas respiratórios novos; opacidades bilaterais não totalmente explicadas por derrame, colapso ou nódulos; insuficiência respiratória não totalmente explicada por insuficiência cardíaca ou sobrecarga de volume.
- Exames
- Gasometria arterial para a relação PaO2/FiO2; exames para a causa (culturas, lipase); BNP e ECG ajudam a descartar edema cardiogênico.
- Imagem
- A radiografia ou a TC de tórax mostram opacidades bilaterais; o ecocardiograma ajuda a excluir insuficiência cardíaca; a ultrassonografia pulmonar é útil à beira do leito.
Diagnóstico diferencial
- Edema pulmonar cardiogênico
- Pneumonia bilateral
- Hemorragia alveolar difusa
- Exacerbação aguda de doença pulmonar intersticial
- Pneumonia eosinofílica aguda
Objetivo do tratamento
Tratar a causa, manter a oxigenação evitando nova lesão pulmonar pelo ventilador e dar suporte aos demais órgãos até a recuperação dos pulmões.
Tratamento
- Clínico
- Tratamento do desencadeante: antibióticos e controle do foco na sepse, manejo da pancreatite ou do trauma.
- Fase aguda
- Ventilação protetora: volumes correntes baixos calculados pelo peso corporal predito, pressão de platô limitada e PEEP adequada.
- Fase aguda
- Posição prona por muitas horas ao dia na SDRA moderada a grave.
- Clínico
- Estratégia hídrica conservadora após a resolução do choque; sedação e, em casos graves selecionados, bloqueadores neuromusculares; corticosteroides em algumas situações.
- Procedimento
- Oxigenação por membrana extracorpórea (ECMO) em centros experientes para hipoxemia refratária.
- Reabilitação
- Reabilitação precoce e acompanhamento dos efeitos físicos, cognitivos e psicológicos após a terapia intensiva.
Complicações
- Pneumonia associada à ventilação mecânica
- Barotrauma e pneumotórax
- Falência de múltiplos órgãos
- Fibrose pulmonar
- Fraqueza adquirida na UTI
- Problemas cognitivos e psicológicos de longo prazo
Prognóstico
A mortalidade é alta e aumenta com a gravidade, a idade e a causa. Muitos sobreviventes recuperam uma função pulmonar quase normal, mas fraqueza, fadiga e problemas psicológicos podem durar de meses a anos.
Teste seus conhecimentos
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Quais são os principais critérios da definição de Berlim para a SDRA?
Início em até uma semana, opacidades bilaterais, insuficiência respiratória não explicada por insuficiência cardíaca ou volume, e PaO2/FiO2 de 300 ou menos com PEEP de pelo menos 5.
Qual é a causa mais comum de SDRA?
A sepse, seguida por pneumonia e aspiração.
Qual é o princípio básico da ventilação na SDRA?
Ventilação protetora: volumes correntes baixos baseados no peso corporal predito, pressão de platô limitada e PEEP adequada.
Qual estratégia de posicionamento melhora a sobrevida na SDRA moderada a grave?
A posição prona por períodos prolongados a cada dia.
Qual é o achado histológico típico na SDRA?
Dano alveolar difuso com membranas hialinas.
Doenças relacionadas
- Sepse e choque séptico
- Pneumonia adquirida na comunidade
- Pancreatite aguda
- Tórax instável
- Insuficiência cardíaca
Informação educativa, não é aconselhamento médico. Diante de um sintoma, consulte um profissional de saúde.
Fontes: Acute Respiratory Distress Syndrome (StatPearls (NCBI Bookshelf), 2024); Risk factors for the development of acute respiratory distress syndrome in mechanically ventilated adults in Peru: a multicenter observational study (Critical care (London, England), 2019) · adaptado, CC BY 4.0.
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