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Arterite de células gigantes !

A arterite de células gigantes inflama grandes artérias, como a da têmpora, em pessoas acima de 50 anos; causa dor de cabeça e pode causar cegueira súbita.

Atualizado 2026-10-29

Estruturas envolvidas

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O que é

Vasculite granulomatosa de artérias de grande e médio calibre em pessoas acima de 50 anos, tipicamente os ramos da artéria carótida externa, como a artéria temporal superficial. Sua complicação mais temida é a cegueira súbita e permanente.

Quem afeta

A vasculite sistêmica mais comum em idosos na Europa e na América do Norte, mais frequente em mulheres e em pessoas de ascendência norte-europeia. É relatada com menos frequência na América Latina, mas ocorre e pode ser subdiagnosticada.

Causas

  • Desconhecida; inflamação granulomatosa imunomediada em um idoso geneticamente suscetível
  • Forte associação com polimialgia reumática

Fatores de risco

  • Idade acima de 50 anos (pico na década dos 70)
  • Sexo feminino
  • Ascendência norte-europeia
  • Polimialgia reumática
  • Fatores genéticos (HLA-DR4)

Fisiopatologia

Células dendríticas ativadas na parede arterial recrutam linfócitos T e macrófagos que formam granulomas com células gigantes, sobretudo na lâmina elástica interna. A íntima se espessa e estreita o lúmen, causando isquemia. A oclusão das artérias ciliares posteriores leva à neuropatia óptica isquêmica arterítica; a aorta e seus ramos também podem ser acometidos.

Classificação

  • Arterite de células gigantes craniana
  • Arterite de células gigantes de grandes vasos (aorta e seus ramos)
  • Com ou sem polimialgia reumática

Sintomas e sinais

  • Cefaleia nova, muitas vezes temporal
  • Sensibilidade no couro cabeludo (dor ao pentear o cabelo)
  • Claudicação mandibular: dor ao mastigar que melhora com o repouso
  • Artéria temporal dolorosa, espessada ou sem pulso
  • Perda visual transitória ou permanente, visão dupla
  • Febre, fadiga, perda de peso
  • Dor e rigidez nas cinturas escapular e pélvica (polimialgia reumática)

Diagnóstico

Clínico
Suspeitada em qualquer pessoa acima de 50 anos com cefaleia nova, claudicação mandibular, sensibilidade no couro cabeludo ou sintomas visuais. Os critérios de classificação (ACR/EULAR 2022) apoiam, mas não substituem, o julgamento clínico. O tratamento não é adiado à espera de exames.
Exames
VHS e PCR geralmente estão elevadas; são comuns anemia normocrômica e plaquetas elevadas. A biópsia da artéria temporal mostra inflamação granulomatosa; continua válida por alguns dias após o início do tratamento.
Imagem
A ultrassonografia das artérias temporais e axilares (sinal do halo) é exame de primeira linha onde há experiência. PET-TC, angio-TC ou angiorressonância avaliam o acometimento de grandes vasos e da aorta.

Diagnóstico diferencial

  • Polimialgia reumática isolada
  • Neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica
  • Enxaqueca ou cefaleia do tipo tensional
  • Neuralgia do trigêmeo ou disfunção temporomandibular
  • Outras vasculites (arterite de Takayasu, vasculite associada a ANCA)
  • Infecção ou neoplasia com marcadores inflamatórios elevados

Objetivo do tratamento

Prevenir a cegueira e outras complicações isquêmicas suprimindo de imediato a inflamação arterial e, depois, reduzir gradualmente o tratamento limitando os efeitos adversos dos corticoides.

Tratamento

Fase aguda
Corticosteroides sistêmicos em dose alta iniciados imediatamente diante da suspeita, por via intravenosa quando a visão está ameaçada ou já afetada, antes do resultado da biópsia.
Clínico
Poupadores de corticoide para permitir redução mais rápida e menos recidivas: inibidores do receptor de IL-6 ou metotrexato.
Clínico
Proteção óssea, proteção gástrica e rastreamento de diabetes e hipertensão durante a corticoterapia prolongada; terapia antiplaquetária considerada em pacientes selecionados.
Acompanhamento
Reavaliação clínica e marcadores inflamatórios durante a redução para detectar recidiva; imagem periódica da aorta em busca de aneurisma na doença de grandes vasos.

Complicações

  • Perda visual permanente, às vezes nos dois olhos
  • AVC
  • Aneurisma e dissecção da aorta
  • Claudicação de membros
  • Efeitos adversos dos corticosteroides: osteoporose, diabetes, infecção, catarata

Prognóstico

Os sintomas melhoram em dias com corticosteroides, mas a visão já perdida raramente retorna. As recidivas durante a redução são comuns. A expectativa de vida é quase normal, embora as complicações aórticas exijam vigilância prolongada.

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Qual sintoma é o mais específico da arterite de células gigantes?

Claudicação mandibular: dor nos músculos da mandíbula ao mastigar, que melhora com o repouso.

Qual é a complicação mais temida da arterite de células gigantes?

Perda visual súbita e permanente, geralmente por neuropatia óptica isquêmica anterior arterítica.

Os corticosteroides devem esperar a biópsia da artéria temporal?

Não. São iniciados imediatamente diante da suspeita; a biópsia continua informativa por alguns dias após o início.

Qual é o sinal ultrassonográfico clássico da arterite de células gigantes?

O sinal do halo: parede arterial escura e espessada ao redor do lúmen da artéria temporal.

Qual condição reumatológica acompanha com frequência a arterite de células gigantes?

A polimialgia reumática, com dor e rigidez nas cinturas escapular e pélvica.

Doenças relacionadas

Informação educativa, não é aconselhamento médico. Diante de um sintoma, consulte um profissional de saúde.

Fontes: Giant Cell Arteritis (Temporal Arteritis) (StatPearls (NCBI Bookshelf), 2024).

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Modelo representativo, apenas para fins educativos.

Artéria temporal superficial destacado no modelo 3D da Durgical