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Lesão renal aguda !

A lesão renal aguda é uma queda súbita da função dos rins em horas ou dias, de modo que resíduos, líquidos e sais se acumulam no corpo.

Atualizado 2026-10-30

Estruturas envolvidas

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O que é

Queda abrupta da função renal em horas a dias, evidenciada por aumento da creatinina sérica ou redução do débito urinário, com acúmulo de produtos nitrogenados, líquidos e eletrólitos.

Quem afeta

Comum no hospital, especialmente em terapia intensiva, e na comunidade com diarreia e desidratação. Na América Latina tropical, leptospirose, malária, dengue, acidente ofídico e desidratação grave são causas importantes. No Peru, a incidência padronizada por idade subiu de 10,5 para 12,1 por 100.000 e a mortalidade caiu de 2,7 para 2,4 por 100.000 (2005–2010 vs 2011–2016).

Causas

  • Pré-renal: baixa perfusão renal por desidratação, sangramento, sepse, insuficiência cardíaca ou cirrose
  • Pré-renal: medicamentos que reduzem a perfusão glomerular, como AINEs, inibidores da ECA, bloqueadores do receptor da angiotensina e diuréticos
  • Intrínseca: necrose tubular aguda por isquemia prolongada ou toxinas (contraste iodado, aminoglicosídeos, rabdomiólise)
  • Intrínseca: nefrite intersticial aguda (medicamentos, infecção), glomerulonefrite e causas vasculares
  • Pós-renal: obstrução ao fluxo urinário (aumento prostático, cálculo em rim único, tumores pélvicos, cateter obstruído)

Fatores de risco

  • Idade avançada
  • Doença renal crônica
  • Diabetes, insuficiência cardíaca e doença hepática
  • Sepse e cirurgias de grande porte, especialmente cirurgia cardíaca
  • Medicamentos nefrotóxicos e contraste iodado
  • Depleção de volume

Fisiopatologia

Na lesão pré-renal, o rim está íntegro mas mal perfundido, e a função se recupera rapidamente quando o fluxo retorna. Isquemia prolongada ou toxinas lesam as células tubulares (necrose tubular aguda): elas se descamam, obstruem os túbulos e permitem o retrovazamento do filtrado. Na lesão pós-renal, a pressão retrógrada da obstrução reduz a filtração; ambos os rins, ou um rim único funcionante, precisam estar afetados.

Classificação

  • KDIGO estágio 1: creatinina 1,5–1,9 vez o valor basal ou aumento ≥0,3 mg/dL em 48 h, ou débito urinário <0,5 mL/kg/h por 6–12 h
  • KDIGO estágio 2: creatinina 2,0–2,9 vezes o valor basal, ou débito urinário <0,5 mL/kg/h por ≥12 h
  • KDIGO estágio 3: creatinina ≥3 vezes o valor basal ou ≥4,0 mg/dL, início de diálise, ou débito urinário <0,3 mL/kg/h por ≥24 h ou anúria por ≥12 h
  • Pela causa: pré-renal, intrínseca (renal) e pós-renal

Sintomas e sinais

  • Muitas vezes nenhum: detectada em exames de sangue
  • Débito urinário baixo (oligúria) ou ausente (anúria); o débito também pode ser normal
  • Sobrecarga de volume: edema e falta de ar
  • Náuseas, vômitos, confusão e sonolência por uremia
  • Manifestações da causa: sede e pressão baixa, exantema e febre, dor suprapúbica por bexiga cheia

Diagnóstico

Clínico
Avaliação da volemia, da lista de medicamentos (nefrotóxicos, bloqueadores do sistema renina-angiotensina, AINEs), de contraste recente e de sepse, e exame físico em busca de bexiga cheia. O objetivo é classificar a causa como pré-renal, intrínseca ou pós-renal.
Exames
Creatinina seriada e débito urinário definem e estadiam a LRA (KDIGO). Eletrólitos, bicarbonato, ureia; exame de urina e microscopia (cilindros granulosos “marrom-barrentos” na necrose tubular, cilindros hemáticos na glomerulonefrite). Uma fração de excreção de sódio baixa indica causa pré-renal. ECG se o potássio estiver alto.
Imagem
Ultrassonografia dos rins e da bexiga precocemente quando há possibilidade de obstrução: mostra hidronefrose, volume vesical e tamanho renal (rins pequenos sugerem doença crônica de base).

Diagnóstico diferencial

  • Doença renal crônica (valores prévios de creatinina, rins pequenos)
  • Lesão renal aguda sobre doença renal crônica
  • Síndrome hepatorrenal na cirrose
  • Rabdomiólise
  • Glomerulonefrite rapidamente progressiva
  • Aumento da creatinina sem perda real de função (alguns medicamentos)

Objetivo do tratamento

Tratar a causa, restaurar a perfusão ou aliviar a obstrução, evitar nova agressão renal, controlar líquidos, potássio e ácido, e iniciar diálise quando as complicações não puderem ser controladas de outra forma.

Tratamento

Fase aguda
Causas pré-renais: ressuscitação volêmica com cristaloides quando o paciente está hipovolêmico, tratamento da sepse e do choque, e suporte da pressão arterial.
Clínico
Suspensão ou interrupção temporária de medicamentos nefrotóxicos e dos que reduzem a perfusão glomerular (AINEs, inibidores da ECA, bloqueadores do receptor da angiotensina, diuréticos); as doses dos fármacos de eliminação renal são ajustadas.
Procedimento
Causas pós-renais: alívio da obstrução com sonda vesical, cateter ureteral (duplo J) ou nefrostomia.
Fase aguda
Emergência por hipercalemia: estabilização da membrana cardíaca com cálcio intravenoso, deslocamento do potássio para dentro das células com insulina e glicose ou beta-agonistas, e depois sua remoção (quelantes, diuréticos ou diálise).
Clínico
Diuréticos de alça para a sobrecarga de volume em pacientes que respondem; eles não aceleram a recuperação renal.
Procedimento
Terapia renal substitutiva (hemodiálise intermitente ou terapia contínua em terapia intensiva) para acidose, hipercalemia ou sobrecarga de volume refratárias, algumas intoxicações e complicações urêmicas.
Acompanhamento
Peso diário, balanço hídrico, creatinina e eletrólitos; acompanhamento após a alta, porque a LRA aumenta o risco de doença renal crônica posterior.

Complicações

  • Hipercalemia e arritmias
  • Sobrecarga de volume e edema pulmonar
  • Acidose metabólica
  • Uremia: pericardite, encefalopatia, sangramento
  • Toxicidade de medicamentos por redução da depuração
  • Progressão para doença renal crônica
  • Maior mortalidade, especialmente em pacientes críticos

Prognóstico

As lesões pré-renal e pós-renal geralmente se recuperam quando a causa é tratada rapidamente. A LRA grave em pacientes críticos tem alta mortalidade, e os sobreviventes têm maior risco de doença renal crônica.

Prevenção

  • Manter bem hidratados os pacientes de risco e evitar nefrotóxicos e contraste desnecessários
  • Monitorar a creatinina ao iniciar medicamentos que afetam o rim
  • Tratamento precoce da diarreia, da sepse e da obstrução urinária

Teste seus conhecimentos

Pense na resposta e toque na pergunta para vê-la.

Quais são as três grandes categorias de causas de lesão renal aguda?

Pré-renal (baixa perfusão), intrínseca (lesão dentro do rim) e pós-renal (obstrução ao fluxo urinário).

Quais dois critérios o KDIGO usa para definir e estadiar a lesão renal aguda?

O aumento da creatinina sérica em relação ao valor basal e a queda do débito urinário ao longo do tempo.

Qual achado no sedimento urinário é clássico da necrose tubular aguda?

Cilindros granulosos “marrom-barrentos” (muddy brown).

Qual exame de imagem é feito precocemente na lesão renal aguda inexplicada?

A ultrassonografia dos rins e da bexiga, para pesquisar obstrução (hidronefrose).

Quais são as indicações clássicas de diálise de urgência na lesão renal aguda?

Acidose, hipercalemia ou sobrecarga de volume refratárias, algumas intoxicações e complicações urêmicas como pericardite ou encefalopatia (mnemônico AEIOU).

Doenças relacionadas

Informação educativa, não é aconselhamento médico. Diante de um sintoma, consulte um profissional de saúde.

Fontes: Acute Kidney Injury (StatPearls (NCBI Bookshelf), 2026); National trends in age-standardized incidence and mortality rates of acute kidney injury in Peru (Jornal brasileiro de nefrologia, 2020) · adaptado, CC BY 4.0.

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Modelo representativo, apenas para fins educativos.

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