Doença inflamatória pélvica !
A doença inflamatória pélvica é uma infecção do útero, das tubas e dos ovários, que geralmente sobe a partir do colo; pode causar infertilidade e dor pélvica.
Atualizado 2026-10-29
Estruturas envolvidas
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- Tubas uterinas
- Endométrio
- Ovários
- Colo do útero
- Escavação retouterina (fundo de saco de Douglas)
- Ampola da tuba uterina
- Infundíbulo e fímbrias
- Ligamento largo do útero
- Vagina
O que é
Infecção e inflamação do trato genital feminino superior (endométrio, tubas uterinas, ovários e peritônio pélvico), geralmente ascendendo a partir do colo do útero. Pode causar infertilidade, gravidez ectópica e dor pélvica crônica.
Quem afeta
Afeta principalmente mulheres jovens sexualmente ativas; muitos casos são leves ou silenciosos. As infecções sexualmente transmissíveis que a causam são comuns e subnotificadas na região.
Causas
- Chlamydia trachomatis
- Neisseria gonorrhoeae
- Mycoplasma genitalium
- Flora vaginal polimicrobiana: anaeróbios, organismos da vaginose bacteriana, gram-negativos entéricos
- Menos frequentemente, após instrumentação uterina
Fatores de risco
- Idade inferior a 25 anos
- Parceiros sexuais novos ou múltiplos, ou parceiro com IST
- DIP ou IST prévia
- Uso irregular de preservativo
- Inserção recente de DIU (primeiras semanas) ou procedimento uterino
- Vaginose bacteriana
Fisiopatologia
Os microrganismos ascendem do colo pelo endométrio até as tubas, causando salpingite. A inflamação destrói o epitélio ciliado e deixa cicatrizes e aderências tubárias, aumentando o risco de infertilidade e gravidez ectópica. O pus pode se acumular como abscesso tubo-ovariano; a extensão à cápsula hepática causa peri-hepatite (síndrome de Fitz-Hugh–Curtis).
Classificação
- Leve a moderada (tratamento ambulatorial) ou grave (tratamento hospitalar)
- Com ou sem abscesso tubo-ovariano
- Aguda, ou subclínica com lesão tubária silenciosa
- Síndrome de Fitz-Hugh–Curtis: peri-hepatite associada
Sintomas e sinais
- Dor no baixo ventre ou pélvica, frequentemente bilateral
- Corrimento vaginal anormal; sangramento entre as menstruações ou após a relação sexual
- Dispareunia profunda e disúria
- Febre (nem sempre presente)
- Ao exame: dor à mobilização do colo, dor uterina e anexial
- Dor no quadrante superior direito (Fitz-Hugh–Curtis)
Diagnóstico
- Clínico
- Diagnóstico clínico: dor pélvica com dor à mobilização do colo, dor uterina ou anexial e nenhuma outra causa; o tratamento começa diante da suspeita. A laparoscopia é reservada aos casos duvidosos.
- Exames
- Teste de gravidez; testes de amplificação de ácidos nucleicos (NAAT) para clamídia e gonorreia; microscopia do corrimento; hemograma e PCR (proteína C-reativa); testes para HIV e sífilis.
- Imagem
- A ultrassonografia transvaginal procura abscesso tubo-ovariano ou outras causas de dor.
Diagnóstico diferencial
- Gravidez ectópica
- Apendicite aguda
- Torção ovariana ou cisto ovariano roto
- Endometriose
- Infecção do trato urinário ou pielonefrite
Objetivo do tratamento
Eliminar a infecção precocemente para aliviar os sintomas e proteger a fertilidade, tratar os parceiros e prevenir a reinfecção.
Tratamento
- Clínico
- Antibióticos empíricos de amplo espectro cobrindo clamídia, gonorreia e anaeróbios, iniciados sem esperar os resultados (por exemplo, uma cefalosporina mais uma tetraciclina, com ou sem um nitroimidazol), conforme as diretrizes.
- Fase aguda
- Internação hospitalar e antibióticos intravenosos em caso de doença grave, gravidez, abscesso tubo-ovariano, vômitos ou ausência de resposta ao tratamento oral.
- Procedimento
- Drenagem do abscesso tubo-ovariano (guiada por imagem ou cirúrgica) quando não responde aos antibióticos ou se rompe.
- Acompanhamento
- Reavaliação em cerca de três dias; notificação e tratamento dos parceiros; abstinência sexual até o fim do tratamento; novo teste para reinfecção. O DIU geralmente pode permanecer se a paciente melhorar.
Complicações
- Infertilidade por fator tubário
- Gravidez ectópica
- Dor pélvica crônica
- Abscesso tubo-ovariano
- Peri-hepatite de Fitz-Hugh–Curtis
- DIP recorrente
Prognóstico
A maioria melhora rapidamente com antibióticos precoces, mas a lesão tubária pode persistir, e cada novo episódio aumenta o risco de infertilidade e de gravidez ectópica.
Prevenção
- Uso de preservativo
- Rastreamento de clamídia e gonorreia em mulheres jovens sexualmente ativas
- Tratamento dos parceiros
- Educação em saúde sexual
Teste seus conhecimentos
Pense na resposta e toque na pergunta para vê-la.
Quais são as duas causas sexualmente transmissíveis clássicas da DIP?
Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae.
Qual achado do exame é um critério clínico-chave da DIP?
A dor à mobilização do colo, junto com dor uterina ou anexial.
O que é a síndrome de Fitz-Hugh–Curtis?
Peri-hepatite com aderências da cápsula hepática, que causa dor no quadrante superior direito na DIP.
Qual exame deve ser sempre feito quando se suspeita de DIP?
Um teste de gravidez, para excluir gravidez ectópica.
Quais são as principais complicações a longo prazo da DIP?
Infertilidade tubária, gravidez ectópica e dor pélvica crônica.
Doenças relacionadas
- Endometriose
- Infecção do trato urinário (cistite aguda)
- Gravidez ectópica
- Apendicite aguda
- Torção ovariana
- Pielonefrite aguda
- Peritonite
- Dismenorreia
Informação educativa, não é aconselhamento médico. Diante de um sintoma, consulte um profissional de saúde.
Fontes: Pelvic Inflammatory Disease (StatPearls (NCBI Bookshelf), 2025).
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