Osteomielite vertebral !
A osteomielite vertebral é uma infecção das vértebras e do disco entre elas, geralmente bacteriana; causa dor constante nas costas, pior à noite.
Atualizado 2026-10-29
Estruturas envolvidas
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- Placas terminais vertebrais
- Vértebra L3
- Vértebra L4
- Disco L3–L4
- Psoas maior
- Artérias lombares
- Ligamento longitudinal anterior
O que é
Infecção dos corpos vertebrais e do disco entre eles (espondilodiscite), mais frequentemente bacteriana e disseminada pelo sangue.
Quem afeta
Mais comum em idosos e em pessoas com diabetes, doença renal, uso de drogas injetáveis ou infecção da corrente sanguínea recente. A coluna lombar é a mais acometida. Na América Latina, a tuberculose e a brucelose também são consideradas.
Causas
- Staphylococcus aureus (a causa mais comum, incluindo cepas resistentes à meticilina)
- Estreptococos e bacilos Gram-negativos (frequentemente de infecção urinária)
- Pseudomonas em pessoas que usam drogas injetáveis
- Disseminação direta após cirurgia ou procedimentos na coluna, ou a partir de infecção vizinha
- Mycobacterium tuberculosis, Brucella e fungos em contextos específicos
Fatores de risco
- Uso de drogas injetáveis
- Diabetes mellitus
- Hemodiálise e cateteres intravenosos de longa permanência
- Endocardite infecciosa ou bacteremia recente
- Imunossupressão, idade avançada, cirurgia recente na coluna
Fisiopatologia
Bactérias no sangue se alojam nas artérias terminais do corpo vertebral, junto à placa terminal. A infecção destrói a placa terminal e atravessa para o disco avascular e depois para a vértebra seguinte. Pode se estender ao espaço epidural ou ao psoas, formando abscessos.
Sintomas e sinais
- Dor constante nas costas ou no pescoço, pior à noite, que não cede com o repouso
- Dor local à palpação sobre o processo espinhoso
- Febre (ausente em muitos pacientes)
- Perda de peso e mal-estar
- Dor radicular, fraqueza ou alteração sensitiva se nervos ou medula estiverem acometidos
Diagnóstico
- Clínico
- Suspeitar diante de dor nas costas nova com febre ou marcadores inflamatórios elevados, especialmente com fatores de risco; procurar um foco (pele, urina, valvas cardíacas, cateteres) e avaliar o exame neurológico.
- Exames
- VHS e PCR geralmente estão elevadas e são usadas para acompanhar o tratamento. Hemoculturas antes dos antibióticos; se negativas, biópsia guiada por imagem para cultura e histologia. Ecocardiograma quando a endocardite for possível.
- Imagem
- A RM com contraste é o exame de escolha: destruição das placas terminais, inflamação do disco e abscessos. A TC guia a biópsia; as radiografias se alteram tardiamente.
Diagnóstico diferencial
- Tuberculose vertebral ou espondilite brucelósica
- Metástases vertebrais
- Fratura osteoporótica por compressão
- Doença degenerativa discal erosiva (alterações de Modic)
- Abscesso epidural espinal
Objetivo do tratamento
Identificar o microrganismo, curar a infecção com antibióticos dirigidos e prolongados, proteger os nervos e manter a coluna estável.
Tratamento
- Procedimento
- Biópsia guiada por imagem para identificar o microrganismo quando as hemoculturas são negativas; no paciente estável sem déficit, os antibióticos frequentemente são adiados até a coleta das amostras.
- Clínico
- Antibioticoterapia prolongada guiada pela cultura, frequentemente iniciada por via intravenosa e depois trocada para agentes orais com boa penetração óssea; cerca de seis semanas é o tempo comumente citado.
- Conservador
- Controle da dor, mobilização precoce e às vezes órtese.
- Cirúrgico
- Cirurgia para déficit neurológico, abscesso epidural, instabilidade ou deformidade, ou falha dos antibióticos: desbridamento e estabilização.
Complicações
- Abscesso epidural espinal ou do psoas
- Paralisia
- Colapso vertebral, cifose e instabilidade
- Sepse e endocardite
- Recidiva e dor crônica
Prognóstico
A maioria dos pacientes é curada com antibióticos, mas a mortalidade não é desprezível em pacientes idosos e doentes, e alguns mantêm dor ou déficits neurológicos. O atraso no diagnóstico é a principal causa evitável de maus desfechos.
Teste seus conhecimentos
Pense na resposta e toque na pergunta para vê-la.
Qual é o microrganismo mais comum na osteomielite vertebral piogênica?
Staphylococcus aureus.
Qual região da coluna é mais frequentemente acometida pela osteomielite vertebral piogênica?
A coluna lombar.
Qual é o exame de imagem de escolha para a osteomielite vertebral?
RM com contraste, que mostra precocemente o acometimento das placas terminais e do disco e eventuais abscessos.
Por que os antibióticos costumam ser adiados no paciente estável até a realização da biópsia?
Para aumentar a chance de isolar o microrganismo, de modo que a terapia prolongada possa ser dirigida. Pacientes instáveis ou sépticos são tratados imediatamente.
Qual microrganismo deve ser considerado em uma pessoa que usa drogas injetáveis com espondilodiscite?
Além do Staphylococcus aureus, a Pseudomonas aeruginosa.
Doenças relacionadas
- Abscesso epidural espinal
- Tuberculose vertebral (mal de Pott)
- Osteomielite
- Sepse e choque séptico
- Lombalgia mecânica
- Fratura vertebral por compressão osteoporótica
Informação educativa, não é aconselhamento médico. Diante de um sintoma, consulte um profissional de saúde.
Fontes: Vertebral Osteomyelitis (StatPearls (NCBI Bookshelf), 2024).
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