Síndrome de Guillain-Barré !
A síndrome de Guillain-Barré é um ataque imune aos nervos, muitas vezes após uma infecção; causa fraqueza de avanço rápido que começa nas pernas.
Atualizado 2026-10-30
Estruturas envolvidas
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- Raízes nervosas cervicais
- Raízes nervosas torácicas
- Cauda equina
- Gânglios sensitivos dos nervos espinais
- Diafragma
- Nervos intercostais inferiores
- Nervo vago (X)
- Nervo isquiático
- Nervo femoral
- Dura-máter (saco dural)
O que é
Polirradiculoneuropatia aguda imunomediada que causa fraqueza rapidamente progressiva, geralmente simétrica, com perda dos reflexos, muitas vezes após uma infecção.
Quem afeta
É a causa mais comum de paralisia flácida aguda no mundo, em qualquer idade, um pouco mais frequente em homens. Os casos aumentaram na América Latina durante a epidemia de Zika: na Colômbia, foram notificados 453 casos associados ao Zika de outubro de 2015 a junho de 2017 (41,9 por 10.000 casos de Zika). A forma axonal é relativamente mais comum na América Latina e na Ásia.
Causas
- Infecção prévia na maioria dos pacientes: diarreia por Campylobacter jejuni, infecções respiratórias, citomegalovírus, vírus Epstein-Barr
- Arbovírus como o Zika
- Raramente após vacinação ou cirurgia
Fatores de risco
- Infecção gastrointestinal ou respiratória recente
- Infecção recente por Zika
- Idade mais avançada
Fisiopatologia
Anticorpos produzidos contra uma infecção reagem de forma cruzada com gangliosídeos e mielina dos nervos e raízes periféricos (mimetismo molecular). O complemento e os macrófagos lesam a mielina (forma desmielinizante) ou o próprio axônio (forma axonal). O acometimento das raízes nervosas eleva a proteína no líquido cefalorraquidiano.
Classificação
- Polineuropatia desmielinizante inflamatória aguda (AIDP)
- Neuropatia axonal motora aguda (AMAN) e neuropatia axonal sensitivo-motora aguda (AMSAN), muitas vezes após Campylobacter
- Síndrome de Miller Fisher: oftalmoplegia, ataxia e arreflexia, com anticorpos anti-GQ1b
Sintomas e sinais
- Fraqueza ascendente e simétrica que começa nas pernas e atinge o pior ponto em até quatro semanas
- Reflexos tendinosos diminuídos ou ausentes (arreflexia)
- Formigamento das mãos e dos pés, com pouca perda sensitiva objetiva
- Dor nas costas ou nos membros, muitas vezes precoce
- Fraqueza facial (muitas vezes bilateral) e dificuldade para deglutir
- Disfunção autonômica: oscilações da pressão arterial, arritmias, retenção urinária
- Fraqueza dos músculos respiratórios
Diagnóstico
- Clínico
- Fraqueza progressiva de mais de um membro com reflexos diminuídos, que atinge o pior ponto em até quatro semanas, excluídas outras causas; os critérios de Brighton ou do NINDS orientam o diagnóstico.
- Exames
- Punção lombar: dissociação albuminocitológica (proteína elevada com celularidade normal), muitas vezes normal na primeira semana. Os estudos de condução nervosa mostram padrões desmielinizantes ou axonais. Espirometria (capacidade vital) e ECG; anticorpos antigangliosídeos em algumas variantes; pesquisa de Zika quando pertinente.
- Imagem
- A RM da coluna não é necessária para o diagnóstico, mas ajuda a excluir compressão medular e pode mostrar realce das raízes nervosas e da cauda equina.
Diagnóstico diferencial
- Compressão medular aguda ou mielite transversa
- Miastenia gravis
- Botulismo
- Hipopotassemia e outros distúrbios eletrolíticos
- Neuropatia ou miopatia do doente crítico
- Polineuropatia desmielinizante inflamatória crônica (PDIC)
Objetivo do tratamento
Dar suporte à respiração e à função autonômica na fase aguda, encurtar a doença com imunoterapia, prevenir complicações e restaurar a função.
Tratamento
- Acompanhamento
- Internação com monitorização rigorosa da capacidade vital, da deglutição, do ritmo cardíaco e da pressão arterial; UTI e ventilação mecânica quando a respiração falha (critérios como a regra 20/30/40 orientam essa decisão).
- Clínico
- Imunoglobulina intravenosa (IGIV), em pacientes que não conseguem andar sem ajuda, idealmente nas duas primeiras semanas. Corticosteroides isolados não são eficazes.
- Procedimento
- Plasmaférese, tão eficaz quanto a IGIV; as duas geralmente não são combinadas.
- Fase aguda
- Cuidados de suporte: profilaxia de trombose venosa, controle da dor, cuidados vesicais e intestinais, nutrição, prevenção de lesões por pressão e apoio psicológico.
- Reabilitação
- Reabilitação precoce e prolongada com fisioterapia e terapia ocupacional.
Complicações
- Insuficiência respiratória
- Instabilidade autonômica e arritmias
- Trombose venosa profunda e embolia pulmonar
- Pneumonia aspirativa
- Dor crônica, fadiga e fraqueza residual
Prognóstico
A maioria dos pacientes se recupera, muitos completamente, ao longo de semanas a meses; uma minoria fica com incapacidade importante e uma pequena proporção morre, sobretudo por complicações respiratórias ou autonômicas. Idade avançada, diarreia prévia e fraqueza grave predizem pior evolução (escore de desfecho de Erasmus para SGB, EGOS).
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Qual é o achado clássico do LCR na síndrome de Guillain-Barré?
Dissociação albuminocitológica: proteína elevada com celularidade normal. Pode ser normal na primeira semana.
Qual é o padrão típico de fraqueza na síndrome de Guillain-Barré?
Fraqueza flácida ascendente e simétrica que começa nas pernas, com reflexos ausentes ou diminuídos, atingindo o pior ponto em até quatro semanas.
Quais são os dois tratamentos eficazes na síndrome de Guillain-Barré?
Imunoglobulina intravenosa e plasmaférese, de eficácia semelhante. Corticosteroides isolados não ajudam.
Qual infecção precede com mais frequência a forma axonal da síndrome de Guillain-Barré?
Gastroenterite por Campylobacter jejuni.
Qual tríade define a síndrome de Miller Fisher?
Oftalmoplegia, ataxia e arreflexia, geralmente com anticorpos anti-GQ1b.
Doenças relacionadas
Informação educativa, não é aconselhamento médico. Diante de um sintoma, consulte um profissional de saúde.
Fontes: Guillain-Barre Syndrome (StatPearls (NCBI Bookshelf), 2026); Zika virus disease, microcephaly and Guillain-Barré syndrome in Colombia: epidemiological situation during 21 months of the Zika virus outbreak, 2015-2017 (Archives of public health, 2017) · adaptado, CC BY 4.0.
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