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Câncer da vesícula biliar !

O câncer da vesícula biliar é um tumor maligno da sua mucosa; no início quase não dá sintomas, então costuma ser achado tarde ou após retirar a vesícula.

Atualizado 2026-10-29

Estruturas envolvidas

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O que é

Tumor maligno originado do revestimento da vesícula biliar, geralmente um adenocarcinoma. A doença inicial raramente causa sintomas, por isso muitas vezes é descoberta tardiamente ou por acaso após uma colecistectomia.

Quem afeta

Pouco comum no mundo, mas com variação geográfica marcante: as taxas estão entre as mais altas no Chile e na região andina da América do Sul, e no norte da Índia. É mais frequente em mulheres e idosos, acompanhando o padrão dos cálculos biliares, por isso é relevante na prática latino-americana.

Causas

  • Inflamação crônica da vesícula, mais frequentemente por cálculos biliares de longa data
  • Vesícula em porcelana (parede calcificada por inflamação crônica)
  • Pólipos da vesícula biliar, especialmente os maiores ou em crescimento
  • Junção pancreatobiliar anômala, que permite refluxo do suco pancreático para as vias biliares
  • Estado de portador crônico de febre tifoide (Salmonella Typhi)

Fatores de risco

  • Cálculos biliares, especialmente grandes ou de longa data
  • Sexo feminino e idade avançada
  • Ascendência andina ou indígena americana e residência em áreas de alta incidência
  • Obesidade
  • Vesícula em porcelana e pólipos da vesícula biliar
  • Cistos de colédoco e colangite esclerosante primária

Fisiopatologia

A irritação crônica da mucosa por cálculos e bile impulsiona uma sequência de metaplasia, displasia e carcinoma. A parede da vesícula é fina, não tem submucosa e repousa diretamente sobre o fígado, por isso o tumor se dissemina precocemente para o leito hepático (segmentos IV e V), os linfonodos e o peritônio. A invasão das vias biliares causa icterícia obstrutiva.

Classificação

  • Estadiamento TNM: a profundidade de invasão da parede (estágio T) é o principal fator prognóstico
  • Incidental (achado na peça de colecistectomia) ou com suspeita clínica
  • Histologia: adenocarcinoma na grande maioria; os tipos escamoso e adenoescamoso são raros

Sintomas e sinais

  • Muitas vezes nenhum nos estágios iniciais
  • Dor no quadrante superior direito que pode simular cólica biliar ou colecistite
  • Icterícia obstrutiva indolor com prurido, urina escura e fezes claras na doença avançada
  • Perda de peso, perda de apetite e fadiga
  • Massa palpável no quadrante superior direito
  • Náuseas e vômitos por obstrução duodenal na doença tardia

Diagnóstico

Clínico
Suspeita em idosos com cálculos biliares que desenvolvem icterícia, perda de peso ou massa no quadrante superior direito. Muitos casos são descobertos pelo patologista após uma colecistectomia de rotina.
Exames
Provas de função hepática com padrão colestático (bilirrubina e fosfatase alcalina elevadas). Marcadores tumorais como CA 19-9 e CEA podem estar elevados, mas não são diagnósticos. A histologia confirma; a biópsia percutânea é muitas vezes evitada quando o tumor parece ressecável, para limitar a semeadura.
Imagem
A ultrassonografia vem primeiro: espessamento da parede, massa polipoide ou massa que substitui a vesícula. TC com contraste e RM com colangiorressonância estadiam o tumor (invasão hepática, vias biliares, vasos e linfonodos); às vezes se acrescenta PET-CT.

Diagnóstico diferencial

  • Colecistite aguda ou crônica
  • Colecistite xantogranulomatosa
  • Adenomiomatose ou pólipo benigno da vesícula
  • Colangiocarcinoma
  • Tumor hepático ou metástase invadindo a vesícula
  • Câncer da cabeça do pâncreas (icterícia obstrutiva)

Objetivo do tratamento

Remoção completa com margens livres quando a doença é localizada; caso contrário, alívio da icterícia e dos sintomas, terapia sistêmica para prolongar a vida e bons cuidados paliativos.

Tratamento

Cirúrgico
A colecistectomia simples pode ser suficiente para tumores muito iniciais restritos à mucosa (T1a).
Cirúrgico
Colecistectomia estendida (radical) para tumores mais invasivos: a vesícula é removida com uma margem do leito hepático (segmentos IVb e V) e os linfonodos regionais, às vezes com a via biliar. Cânceres incidentais além de T1a geralmente são reoperados.
Clínico
Quimioterapia sistêmica (combinações de antimetabólito e platina), às vezes com inibidores de checkpoint imunológico, após a cirurgia ou na doença avançada; os esquemas variam entre as diretrizes.
Procedimento
Drenagem biliar paliativa com stent endoscópico ou percutâneo para aliviar icterícia e prurido; stent duodenal para obstrução da saída gástrica.
Conservador
Cuidados paliativos para dor, nutrição e controle de sintomas.

Complicações

  • Icterícia obstrutiva e colangite
  • Obstrução da saída gástrica ou duodenal
  • Invasão hepática e insuficiência hepática
  • Carcinomatose peritoneal e ascite maligna
  • Implante no local do trocarte ou semeadura peritoneal após cirurgia por câncer insuspeito

Prognóstico

O prognóstico depende principalmente do estágio. Tumores iniciais achados incidentalmente podem ser curados, mas a maioria dos pacientes se apresenta com doença avançada e a sobrevida é ruim.

Prevenção

  • Colecistectomia para cálculos biliares sintomáticos
  • A colecistectomia é muitas vezes recomendada para vesícula em porcelana e para pólipos maiores ou em crescimento; os limites de tamanho variam entre as diretrizes
  • Exame anatomopatológico de toda peça de colecistectomia

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Qual é o fator de risco mais forte para câncer da vesícula biliar?

Cálculos biliares com inflamação crônica, especialmente cálculos grandes e de longa data.

Quais segmentos hepáticos são removidos na colecistectomia estendida?

Os segmentos IVb e V (o leito da vesícula), junto com os linfonodos regionais.

Por que o câncer da vesícula biliar invade o fígado precocemente?

A parede da vesícula é fina, não tem submucosa, e seu leito repousa diretamente sobre o fígado (segmentos IV e V).

O que é vesícula em porcelana e por que é importante?

Uma parede da vesícula calcificada por inflamação crônica; está associada ao câncer (menos fortemente do que se pensava), e a colecistectomia é muitas vezes recomendada.

Em quais partes do mundo o câncer da vesícula biliar é especialmente comum?

No Chile e na região andina da América do Sul, e no norte da Índia, principalmente em mulheres.

Doenças relacionadas

Informação educativa, não é aconselhamento médico. Diante de um sintoma, consulte um profissional de saúde.

Fontes: Gallbladder Carcinoma (StatPearls (NCBI Bookshelf), 2024).

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Modelo representativo, apenas para fins educativos.

Vesícula biliar destacado no modelo 3D da Durgical