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Tetralogia de Fallot !

A tetralogia de Fallot é um defeito cardíaco congênito com quatro componentes, incluindo um orifício entre os ventrículos, que deixa a pele da criança azulada.

Atualizado 2026-10-29

Estruturas envolvidas

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O que é

Cardiopatia congênita cianótica com quatro componentes: comunicação interventricular, obstrução da via de saída do ventrículo direito, aorta que cavalga o septo e hipertrofia ventricular direita. É a cardiopatia cianótica mais comum após o período neonatal.

Quem afeta

A cardiopatia congênita cianótica mais frequente. Está associada à deleção 22q11.2 (síndrome de DiGeorge) e à trissomia 21. Graças à cirurgia no primeiro ano de vida, um número crescente de adultos vive com a tetralogia corrigida.

Causas

  • Desvio anterior e superior do septo de saída (infundibular) durante o desenvolvimento, que produz os quatro componentes
  • Deleção 22q11.2, trissomia 21 e outras síndromes genéticas
  • Na maioria dos casos, não se identifica uma causa única

Fatores de risco

  • Diabetes materno ou fenilcetonúria materna não controlada
  • Rubéola ou uso de álcool pela mãe durante a gestação
  • Exposição a retinoides na gestação
  • Histórico familiar de cardiopatia congênita

Fisiopatologia

A obstrução da via de saída eleva a pressão do ventrículo direito, de modo que o sangue desoxigenado atravessa o grande defeito para a aorta cavalgante (shunt direita-esquerda) e causa cianose proporcional à obstrução. Na crise hipoxêmica, a obstrução piora ou a resistência sistêmica cai, o shunt aumenta e a hipóxia se aprofunda. A posição de cócoras eleva a resistência sistêmica e reduz o shunt.

Classificação

  • Tetralogia «rosa»: obstrução leve e pouca cianose
  • Tetralogia clássica com estenose pulmonar
  • Tetralogia com atresia pulmonar: dependente do canal arterial
  • Tetralogia com agenesia da valva pulmonar: rara

Sintomas e sinais

  • Cianose, frequentemente crescente ao longo dos primeiros meses
  • Sopro ejetivo rude na borda esternal esquerda alta pela obstrução da via de saída, com B2 única
  • Crises hipoxêmicas durante o choro ou a mamada: irritabilidade, respiração rápida e profunda e cianose mais intensa
  • Posição de cócoras após o esforço em crianças maiores
  • Baqueteamento digital e policitemia se não corrigida

Diagnóstico

Clínico
Cianose com sopro ejetivo na borda esternal esquerda alta que diminui durante uma crise, e B2 única.
Exames
Oximetria de pulso baixa; ECG com desvio do eixo para a direita e hipertrofia ventricular direita; o hemograma pode mostrar policitemia; teste genético para deleção 22q11.2.
Imagem
O ecocardiograma confirma o diagnóstico. A radiografia de tórax mostra coração em forma de bota, com trama vascular pulmonar reduzida. A TC, a RM ou o cateterismo definem as artérias pulmonares e as coronárias; a RM acompanha o ventrículo direito após a correção.

Diagnóstico diferencial

  • Transposição das grandes artérias
  • Atresia pulmonar com septo íntegro
  • Atresia tricúspide
  • Truncus arteriosus
  • Hipertensão pulmonar persistente do recém-nascido
  • Síndrome de Eisenmenger

Objetivo do tratamento

Aliviar a cianose e as crises, realizar a correção total no primeiro ano de vida e acompanhar por toda a vida para tratar a insuficiência pulmonar e as arritmias.

Tratamento

Fase aguda
Crise hipoxêmica: acalmar a criança, posição joelhos-tórax e oxigênio; depois, líquidos intravenosos, sedação com opioide, betabloqueadores e vasopressores alfa-agonistas para elevar a resistência sistêmica.
Fase aguda
Em recém-nascidos com obstrução grave ou atresia pulmonar, a prostaglandina E1 mantém o canal arterial aberto.
Cirúrgico
Correção total, geralmente no primeiro ano: fechamento da comunicação interventricular com patch e alívio da obstrução da via de saída.
Procedimento
Quando a correção total precisa esperar: shunt sistêmico-pulmonar (Blalock-Taussig modificado) ou implante de stent por cateter no canal arterial ou na via de saída.
Acompanhamento
Acompanhamento especializado por toda a vida, com troca da valva pulmonar (cirúrgica ou percutânea) na insuficiência grave e monitoramento do ritmo.

Complicações

  • Crises hipoxêmicas
  • Policitemia, AVC e abscesso cerebral na doença não corrigida
  • Endocardite infecciosa
  • Após a correção: insuficiência pulmonar e dilatação do ventrículo direito
  • Arritmias ventriculares e morte súbita
  • Defeito ou obstrução residual, bloqueio cardíaco

Prognóstico

Sem tratamento, a sobrevida até a idade adulta é incomum. Após a correção no primeiro ano de vida, a maioria dos pacientes chega à idade adulta com boa qualidade de vida, mas muitos precisam de reintervenções e de acompanhamento por toda a vida.

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Quais são os quatro componentes da tetralogia de Fallot?

Comunicação interventricular, obstrução da via de saída do ventrículo direito, aorta cavalgante e hipertrofia ventricular direita.

Qual é o sinal radiográfico clássico da tetralogia de Fallot no tórax?

Coração em forma de bota (coeur en sabot), com trama vascular pulmonar reduzida.

Por que a posição de cócoras ajuda uma criança com tetralogia de Fallot?

Ela eleva a resistência vascular sistêmica, o que reduz o shunt direita-esquerda.

Por que o sopro diminui durante uma crise hipoxêmica?

O sopro vem da obstrução da via de saída; durante a crise, menos sangue passa por ela.

Qual deleção genética está associada à tetralogia de Fallot?

A deleção 22q11.2 (síndrome de DiGeorge).

Doenças relacionadas

Informação educativa, não é aconselhamento médico. Diante de um sintoma, consulte um profissional de saúde.

Fontes: Tetralogy of Fallot (StatPearls (NCBI Bookshelf), 2024).

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Modelo representativo, apenas para fins educativos.

Septo interventricular destacado no modelo 3D da Durgical