Abscesso hepático amebiano !
O abscesso hepático amebiano é uma cavidade de tecido hepático destruído pelo parasita Entamoeba histolytica, que vai do cólon ao fígado.
Atualizado 2026-10-29
Estruturas envolvidas
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- Fígado
- Segmento hepático VII
- Segmento hepático VIII
- Diafragma
- Veia porta
- Ceco
- Colo ascendente
- Veias mesentéricas
O que é
Coleção de tecido hepático liquefeito causada pelo parasita Entamoeba histolytica, que se dissemina do cólon para o fígado pela veia porta. É a forma extraintestinal mais comum da amebíase.
Quem afeta
Ocorre onde o saneamento é precário, incluindo grande parte da América Latina, e em viajantes e migrantes dessas áreas. É muito mais comum em homens adultos que em mulheres ou crianças; o consumo de álcool é um fator de risco reconhecido.
Causas
- Entamoeba histolytica, adquirida pela ingestão de cistos em água ou alimentos contaminados
- Disseminação de trofozoítos da parede do cólon pela veia porta até o fígado
Fatores de risco
- Residir em áreas endêmicas ou viajar para elas
- Saneamento precário e água de beber insegura
- Sexo masculino, idade adulta jovem a média
- Consumo de álcool
- Imunossupressão, desnutrição
Fisiopatologia
Os trofozoítos invadem a mucosa colônica e chegam ao fígado pela circulação portal, onde matam hepatócitos e causam necrose de liquefação. O abscesso geralmente é único e localizado no lobo direito, muitas vezes perto do diafragma, e contém líquido marrom espesso e inodoro descrito como “pasta de anchova”. Os trofozoítos ficam na parede do abscesso, não no líquido.
Classificação
- Não complicado vs complicado (ruptura para pleura, peritônio ou pericárdio)
- Abscesso do lobo direito vs do lobo esquerdo (os do lobo esquerdo têm risco de ruptura para o pericárdio)
Sintomas e sinais
- Febre, muitas vezes por dias a semanas
- Dor no quadrante superior direito, às vezes referida ao ombro direito
- Fígado aumentado e doloroso; dor à palpação nos espaços intercostais inferiores direitos
- Tosse ou dor pleurítica à direita
- Perda de peso e mal-estar; história de diarreia ou disenteria em uma minoria
Diagnóstico
- Clínico
- Febre e dor no quadrante superior direito em pessoa procedente ou retornando de área endêmica, com fígado doloroso.
- Exames
- Leucocitose (sem eosinofilia), fosfatase alcalina e marcadores inflamatórios elevados. Anticorpos séricos contra E. histolytica apoiam o diagnóstico, mas podem persistir de infecção passada em áreas endêmicas; testes de antígeno ou PCR onde disponíveis. O exame microscópico de fezes é muitas vezes negativo.
- Imagem
- A ultrassonografia mostra lesão arredondada, hipoecoica, geralmente única, no lobo direito. A TC define tamanho, localização e complicações. A aspiração é reservada para casos selecionados.
Diagnóstico diferencial
- Abscesso hepático piogênico
- Cisto hidático (equinococose)
- Tumor hepático necrótico ou cisto infectado
- Colecistite aguda ou colangite
- Pneumonia do lobo inferior direito ou abscesso subfrênico
Objetivo do tratamento
Eliminar o parasita no fígado e no intestino, aliviar os sintomas e prevenir a ruptura, usando drenagem apenas quando necessária.
Tratamento
- Clínico
- Um nitroimidazol (amebicida tecidual) é o tratamento principal; a maioria dos abscessos responde sem drenagem.
- Clínico
- Em seguida, um agente luminal para eliminar os cistos do intestino e prevenir recidiva e transmissão.
- Procedimento
- Aspiração por agulha ou drenagem por cateter guiadas por imagem em abscessos grandes, do lobo esquerdo, com ruptura iminente, sem resposta após vários dias de tratamento ou com dúvida sobre causa piogênica.
- Cirúrgico
- Cirurgia ou drenagem da cavidade afetada na ruptura para peritônio, pleura ou pericárdio.
- Acompanhamento
- Acompanhamento clínico da febre e da dor; a cavidade pode levar meses para desaparecer na ultrassonografia, por isso a imagem não é usada para avaliar a resposta precoce.
Complicações
- Ruptura para a pleura (empiema) ou pulmão (fístula bronco-hepática)
- Ruptura para o peritônio (peritonite)
- Ruptura para o pericárdio (tamponamento), principalmente em abscessos do lobo esquerdo
- Infecção bacteriana secundária
- Compressão ou trombose da veia cava inferior ou das veias hepáticas
Prognóstico
Com tratamento rápido, a mortalidade é baixa e a maioria dos pacientes se recupera por completo. O diagnóstico tardio e a ruptura, especialmente para o pericárdio, pioram o desfecho.
Prevenção
- Água de beber segura e saneamento
- Higiene das mãos e manipulação segura dos alimentos
- Tratamento dos portadores com um agente luminal
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Como a Entamoeba histolytica chega ao fígado?
Os trofozoítos invadem a mucosa colônica e viajam pelo sistema venoso portal até o fígado.
Qual é o aspecto do líquido de um abscesso hepático amebiano?
Líquido espesso, inodoro, castanho-avermelhado, muitas vezes descrito como “pasta de anchova”; raramente se encontram trofozoítos nele.
Qual classe de medicamentos é o tratamento principal do abscesso hepático amebiano, e o que vem depois?
Um amebicida tecidual nitroimidazólico, seguido de um agente luminal para erradicar os cistos intestinais.
Por que se considera drenar um abscesso hepático amebiano do lobo esquerdo?
Porque ele pode romper para o pericárdio e causar tamponamento.
Qual lobo do fígado é geralmente afetado por um abscesso amebiano?
O lobo direito, que recebe a maior parte do sangue da veia mesentérica superior, que drena o ceco e o cólon direito.
Doenças relacionadas
Informação educativa, não é aconselhamento médico. Diante de um sintoma, consulte um profissional de saúde.
Fontes: Amebic Liver Abscess (StatPearls (NCBI Bookshelf), 2025).
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