Diabetes mellitus tipo 2 !
No diabetes tipo 2, o corpo resiste à insulina e o pâncreas falha aos poucos, e o açúcar no sangue fica alto. É a forma principal da doença no adulto.
Atualizado 2026-10-30
Estruturas envolvidas
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O que é
Doença metabólica crônica em que a resistência à insulina e a falência progressiva das células beta pancreáticas levam a glicemia persistentemente elevada. É a forma mais comum de diabetes em adultos.
Quem afeta
Comum no mundo todo e na América Latina, aumenta com a urbanização, a obesidade e o envelhecimento. Na coorte peruana CRONICAS (quatro locais), a prevalência basal foi de 7,1% e a incidência de 1,95 por 100 pessoas-ano, maior em grandes altitudes; a obesidade foi o principal risco atribuível. Muitas pessoas não sabem que têm a doença até surgir uma complicação.
Causas
- Resistência à insulina no músculo, no fígado e no tecido adiposo
- Perda progressiva da função das células beta das ilhotas pancreáticas
- Forte componente genético e familiar, em interação com o estilo de vida
Fatores de risco
- Sobrepeso e obesidade central (abdominal)
- Sedentarismo e dieta rica em carboidratos refinados e alimentos ultraprocessados
- Parente de primeiro grau com diabetes
- Idade mais avançada, embora seja cada vez mais visto em adultos jovens e adolescentes
- Pré-diabetes ou diabetes gestacional prévio
- Hipertensão, dislipidemia e síndrome dos ovários policísticos
Fisiopatologia
Os tecidos respondem mal à insulina, e o pâncreas inicialmente secreta mais para compensar. Ao longo dos anos as células beta falham, o fígado continua liberando glicose e o músculo capta menos, e a glicemia de jejum e pós-prandial sobe. A hiperglicemia crônica lesa os pequenos vasos (retina, rim, nervos) e acelera a aterosclerose nas grandes artérias.
Classificação
- Pré-diabetes: glicemia de jejum alterada ou tolerância à glicose diminuída
- Diabetes tipo 2 sem complicações
- Diabetes tipo 2 com complicações microvasculares (retinopatia, nefropatia, neuropatia)
- Diabetes tipo 2 com complicações macrovasculares (doença coronariana, cerebrovascular, doença arterial periférica)
Sintomas e sinais
- Muitas vezes sem sintomas por anos; detectado no rastreamento
- Sede excessiva (polidipsia) e micção frequente (poliúria)
- Fadiga e visão turva
- Infecções recorrentes, como candidíase genital ou infecções de pele, e cicatrização lenta de feridas
- Dormência, queimação ou formigamento nos pés
- Acantose nigricans (pele escura e aveludada no pescoço ou nas axilas) como sinal de resistência à insulina
Diagnóstico
- Clínico
- História de sintomas e fatores de risco, peso e circunferência abdominal, pressão arterial e exame completo dos pés (pulsos, sensibilidade ao monofilamento, pele). Muitos casos são detectados pelo rastreamento de pessoas em risco.
- Exames
- Glicemia plasmática de jejum, HbA1c e teste oral de tolerância à glicose (TOTG). Critérios amplamente usados (p. ex., ADA) definem diabetes por glicemia de jejum ≥126 mg/dL, HbA1c ≥6,5% ou glicemia de 2 horas no TOTG ≥200 mg/dL, geralmente confirmados em um segundo exame. Também lipídios, creatinina com TFGe e relação albumina/creatinina urinária.
- Imagem
- Não é necessária para o diagnóstico. O exame de fundo de olho sob midríase ou a retinografia rastreiam a retinopatia; ultrassonografia vascular quando há suspeita de doença arterial periférica.
Diagnóstico diferencial
- Diabetes tipo 1 ou diabetes autoimune latente do adulto (LADA)
- Diabetes monogênico (MODY)
- Diabetes secundário a doença pancreática (pancreatite crônica, câncer de pâncreas)
- Hiperglicemia induzida por medicamentos (glicocorticoides, alguns antipsicóticos)
- Causas endócrinas, como síndrome de Cushing ou acromegalia
Objetivo do tratamento
Manter a glicemia em uma faixa-alvo definida para cada pessoa, evitar hipoglicemia e reduzir o risco cardiovascular (pressão arterial, lipídios, tabagismo) para prevenir complicações micro e macrovasculares.
Tratamento
- Estilo de vida
- Dieta estruturada, atividade física regular, perda de peso e cessação do tabagismo são a base do tratamento em todas as fases; educação para o autocuidado em diabetes.
- Clínico
- A metformina é o fármaco inicial habitual. Outras classes incluem inibidores de SGLT2, agonistas do receptor de GLP-1, inibidores de DPP-4, sulfonilureias, tiazolidinedionas e insulina; inibidores de SGLT2 e agonistas de GLP-1 são preferidos quando há doença cardiovascular ou renal.
- Clínico
- Proteção cardiovascular: estatinas, controle da pressão arterial (frequentemente com IECA ou BRA quando há albuminúria) e, em pessoas selecionadas, terapia antiplaquetária.
- Acompanhamento
- HbA1c, função renal e albumina urinária e lipídios periódicos, exame anual dos olhos e dos pés, e automonitoramento da glicemia em quem usa insulina.
- Cirúrgico
- A cirurgia metabólica (bariátrica) é considerada em pessoas selecionadas com obesidade cujo diabetes não é controlado com outras medidas.
Complicações
- Retinopatia diabética e edema macular, uma das principais causas de cegueira evitável; catarata mais precoce
- Doença renal do diabetes, uma das principais causas de insuficiência renal crônica e diálise
- Neuropatia periférica e neuropatia autonômica (gastroparesia, disfunção erétil, hipotensão ortostática)
- Doença arterial coronariana, AVC e doença arterial periférica
- Pé diabético: úlceras, infecção e amputação
- Estado hiperglicêmico hiperosmolar e, com menos frequência, cetoacidose diabética
- Hipoglicemia causada pelo tratamento
Prognóstico
Doença crônica e progressiva que geralmente exige intensificação do tratamento ao longo do tempo. O bom controle da glicemia, da pressão arterial e dos lipídios, além de não fumar, reduz claramente o risco de complicações; a doença cardiovascular continua sendo a principal causa de morte.
Prevenção
- Perda de peso e atividade física regular em pessoas com pré-diabetes
- Rastreamento de adultos em risco (sobrepeso com outros fatores de risco, história familiar, idade mais avançada)
- Alimentação saudável, com menos bebidas açucaradas e alimentos ultraprocessados
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Quais são os dois defeitos centrais do diabetes tipo 2?
Resistência à insulina no músculo, no fígado e no tecido adiposo, e falência progressiva da secreção de insulina pelas células beta pancreáticas.
Quais são os três exames de sangue padrão usados para diagnosticar o diabetes?
Glicemia plasmática de jejum, HbA1c e glicemia de 2 horas no teste oral de tolerância à glicose (uma glicemia casual com sintomas clássicos também é aceita).
Quais são as três complicações microvasculares clássicas do diabetes?
Retinopatia, nefropatia (doença renal do diabetes) e neuropatia.
Como o estado hiperglicêmico hiperosmolar difere da cetoacidose diabética?
O EHH tem glicemia e osmolalidade extremas com desidratação grave, mas pouca ou nenhuma cetose ou acidose; a CAD tem cetonas e acidose metabólica, geralmente com glicemia mais baixa.
Qual fármaco é o agente de primeira linha habitual no diabetes tipo 2?
Metformina, junto com mudanças no estilo de vida, salvo contraindicação.
Doenças relacionadas
- Diabetes mellitus tipo 1
- Hipertensão arterial
- Infarto agudo do miocárdio (ataque cardíaco)
- Pé diabético
- Pielonefrite aguda
- Carcinoma hepatocelular
- Doença renal crônica
- Síndrome de Cushing
Informação educativa, não é aconselhamento médico. Diante de um sintoma, consulte um profissional de saúde.
Fontes: Type 2 Diabetes (StatPearls (NCBI Bookshelf), 2023); Geographical variation in the progression of type 2 diabetes in Peru: The CRONICAS Cohort Study (Diabetes research and clinical practice, 2016) · adaptado, CC BY 4.0.
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